sábado, 20 de fevereiro de 2016

Silêncio obtuso - I













Sim,
Continuo calado
Em frente a este poema
Como se fosse
O doce amargo de...

... Padre Ernesto Cardenal
(descrevendo Sandino
quando olhava o mundo
do alto das montanhas
da Nicarágua)

... Pablo Neruda
(quando o mar impiedoso
não lhe deixava
nenhuma alternativa
a não ser decifrá-lo)

... Garcia Lorca
(entre as espadas
duras de seus amantes
e o tiro mortal
nas estantes imbecis
onde havia livros
e livres não eram
os que liam)

Sim,
Eu continuo calado
E calar-se
Não é ausência
De calor
É comungar-se
Com o frio que acolhe

Qualquer dor

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