sábado, 6 de fevereiro de 2016

Eu te amarei todos os dias - I
















... mesmo quando os dias
não mais existirem
para homens como eu
que abraçam a memória
com as fibras do coração

De cada árvore roubarei apenas
as membranas
que se acercam dos troncos
E mais se aproximam
do centro da Terra

Eu não te amarei
de vez em quando
de repente
de soslaio

Ou como as chuvas de verão
Ou os falsos amores
Que se afetam sem fé
E se ferem
Afoitos

Eu te amarei todos os dias
A cada átomo de minha saudade
Cada pétala de meus ruídos
Pelas cidades inúteis
de pele podre
e ferrugem em cada olhar

Te amarei ao avesso
Como a andorinha
Que se veste de ar
E avança sozinha
Para o outro lado
De onde tudo parece
querer estar
porque já conhece
de antemão

Te amarei loucamente
Porque só os loucos
Amam assim:
diante de suas unhas
cravadas na alma
diante de si mesmo
frente a frente
distante das malditas
calmarias
que só fazem dos dias
mornas praias
sem maresia

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