Eu te amarei todos os dias - I
... mesmo quando os dias
não mais existirem
para homens como eu
que abraçam a memória
com as fibras do coração
De cada árvore roubarei apenas
as membranas
que se acercam dos troncos
E mais se aproximam
do centro da Terra
do centro da Terra
Eu não te amarei
de vez em quando
de repente
de soslaio
de repente
de soslaio
Ou como as chuvas de verão
Ou os falsos amores
Que se afetam sem fé
E se ferem
Afoitos
Eu te amarei todos os dias
A cada átomo de minha saudade
Cada pétala de meus ruídos
Pelas cidades inúteis
de pele podre
e ferrugem em cada olhar
de pele podre
e ferrugem em cada olhar
Te amarei ao avesso
Como a andorinha
Que se veste de ar
E avança sozinha
Para o outro lado
De onde tudo parece
querer estar
porque já conhece
de antemão
porque já conhece
de antemão
Te amarei loucamente
Porque só os loucos
Amam assim:
diante de suas unhas
cravadas na alma
diante de si mesmo
frente a frente
distante das malditas
calmarias
que só fazem dos dias
mornas praias
sem maresia
distante das malditas
calmarias
que só fazem dos dias
mornas praias
sem maresia

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