domingo, 8 de maio de 2016

Um dia claro













Vamos procurar um dia claro
Claro como as nossas vísceras
Claro como as nossas ideias

Esse dia escuro
Não serve para nada
Apenas para eu escrever
Este poema viçoso
Mas lamacento
Sem possibilidade
De lírios
De lótus

Claro,
Tem de ser assim
Como os teus olhos
Estão me pedindo
Como os meus olhos
Estão te encantando

Nós precisamos
De um dia bem claro
Como o tumulto
De nossos corações
Em plena canção
De amor

Este poema é claro
Mas não suficiente
Precisamos de outro poema
Feito por gente como nós
Que se orgulha
De feridas
De sofrimentos
Porque reconhece
Neles
O início da sabedoria

E a sabedoria é clara
Como a clara do ovo
Como tudo que é novo
É neve
É renovação

Precisamos desse dia claro
Para deitarmos nossa fome
E nos alimentarmos
De nossa animalidade
Profunda

Precisamos do verde claro
Dos capins
Da clareza das sombras
De outras manhãs

Um dia claro,
Apenas um dia claro,
Cuja luz venha de nós
Outra vez
Como sempre foi
Aqui e no infinito
De nós dois.

editora ano 1
Tem uma mesa na Biblioteca Parque Estadual (RJ) esperando por nós.
Vamos conversar sobre poesia e/ou editar seu livro.


2 comentários:

  1. Tudo o que o João escreve é de uma beleza estonteante...parabéns, João, por deixar sempre aberta a porta da alma.
    Lelê

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    1. Lelê, e por eu deixar sempre a porta aberta, como você diz, é posso usufruir do brilho de pessoas como você. Luz. J~

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