sexta-feira, 20 de maio de 2016

Casa das águas

 

As janelas gemem quando o vento leve da manhã sopra sobre seu corpo de madeira. A porta se abre como uma grande boca sorrindo e traduzindo em brilho de sol tudo que falaria se tivesse língua.

O telhado, ainda um pouco úmido e já refletindo a luz do dia, deixa cair sobre o chão alguma sensação líquida de orvalho.

Serena, o balanço da varanda oscila entre um lado e outro chamando-me como quem deseja alguém ardente e em silêncio.
As paredes tornam-se tímidas, inseguras e procuram apenas sustentar o teto, mais nada além disso, porque tornam-se transparentes e permitem que o horizonte nos venha contar coisas do outro lado do mundo.

O chão pede licença para acariciar meus pés, fazendo de cada dedo um tentáculo de sua estrutura basilar dando firmeza à casa.
Nos fundos, o quintal aniquila qualquer desesperança e nutre as raízes do chão de terra com bastante espaço físico e tempo futuro.

Creio que meus olhos estão me chamando para procurar mais alguma coisa, talvez em meu coração, órgão que acolhe tudo isso em uma pequena célula mater.

Flores?!


editora ano 1
Tem uma mesa na Biblioteca Parque Estadual (RJ) esperando por nós.
Vamos conversar sobre poesia e/ou editar seu livro.


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