sábado, 28 de maio de 2016

Chororô



















Eu lembro do jeito que eu chorava antigamente e do jeito que meus amigos também choravam... Lembro como os animais de estimação choravam... Lembro como o céu caía sobre nós deixando-nos molhados até a alma...

Eu lembro do jeito que a dor doía e como eu ia caminhando com minha infância e, depois, minha adolescência pulsando em minha memória... Lembro das esquinas que, quando choravam, sempre abriam as cortinas da juventude para novas experiências...

Eu lembro do jeito que chorei quando vi meu filho sorrindo para mim pela primeira vez, dias depois de sua mãe, chorando, sentir o sabor da verdadeira vida...

Hoje, apenas choro... Não tem mais jeito... Estou quieto, observando a mim mesmo, ouvindo o silêncio de minha casa, chorando junto com uma canção de George Harrison... Minha rede de balanço chora pequenos pelos que caem ao chão...

Hoje, apenas choro... Não tem mais jeito... O jeito é chorar até os olhos brilharem de novo como sempre brilharam... E voltar a chorar com a consciência sorrindo de minha fraqueza e avisando que isso faz bem...

editora ano 1
Tem uma mesa na Biblioteca Parque Estadual (RJ) esperando por nós.
Vamos conversar sobre poesia e/ou editar seu livro.


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