Chororô
Eu lembro do jeito que eu chorava antigamente e do jeito que meus amigos também choravam... Lembro como os animais de estimação choravam... Lembro como o céu caía sobre nós deixando-nos molhados até a alma...
Eu lembro do
jeito que a dor doía e como eu ia caminhando com minha infância e, depois,
minha adolescência pulsando em minha memória... Lembro das esquinas que, quando
choravam, sempre abriam as cortinas da juventude para novas experiências...
Eu lembro do
jeito que chorei quando vi meu filho sorrindo para mim pela primeira vez, dias
depois de sua mãe, chorando, sentir o sabor da verdadeira vida...
Hoje, apenas
choro... Não tem mais jeito... Estou quieto, observando a mim mesmo, ouvindo o
silêncio de minha casa, chorando junto com uma canção de George Harrison... Minha
rede de balanço chora pequenos pelos que caem ao chão...
Hoje, apenas
choro... Não tem mais jeito... O jeito é chorar até os olhos brilharem de novo
como sempre brilharam... E voltar a chorar com a consciência sorrindo de minha
fraqueza e avisando que isso faz bem...
editora ano 1
Tem uma mesa na Biblioteca Parque Estadual (RJ) esperando por nós.
Vamos conversar sobre poesia e/ou editar seu livro.

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