sexta-feira, 13 de maio de 2016

Urbanidade: silêncio e solidão











Quando fechamos
A porta
O mundo fica
Lá fora
E outro mundo
Se abre diante de nós

O silêncio

Não o silêncio em si
O silêncio da alma

A televisão é ligada
O rádio é ligado
O dvd é ligado
O computador é ligado

E eis o silêncio

Não o silêncio inócuo
Dos ruídos
Da cidade grande

Não o silêncio
Sem cio
Do sexo vadio
Que grita
Impropriamente
Aos céus
O que nem à terra
Poderá pedir

Após a porta fechada
O silêncio
Mancha as caras
E os corações

Lá fora
Depois da porta
Aberta

O silêncio
É uma espécie
De som
Que ninguém ouve
Nunca mais irá ouvir
Da canção natural
Em que fauna e flora
Vivem de reincidir


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