O homem que morre... - III
... sem trabalho
conhece muito bem
as pálpebras da angústia
sabe lidar
com as labaredas
de um esperança ardida
Vai-se aos poucos
Como mendigo
Ou bem qualificado
Dentro de casa
Quando casa ainda há
Seu sêmen escorre
Nos ralos
(Que ralos, meu Deus?!)
Pudesse toda a sujeira
Deste mundo
A hipocrisia cotidiana,
A corrupção política,
A idolatria
Dos excessos dos ricos
Descer pelos ralos...
Onde emergir
A erupção do martírio
dos desempregados?
(desocupados,
para os moralmente
desvalidos...
abandonados,
pelos espiritualmente
falidos
renegados,
pelos “porcos”
e “ratos”
subnutridos)

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