terça-feira, 3 de maio de 2016

O homem que morre... - III














... sem trabalho
conhece muito bem
as pálpebras da angústia
sabe lidar
com as labaredas
de um esperança ardida
Vai-se aos poucos
Como mendigo
Ou bem qualificado
Dentro de casa
Quando casa ainda há
Seu sêmen escorre
Nos ralos
(Que ralos, meu Deus?!)

Pudesse toda a sujeira
Deste mundo
A hipocrisia cotidiana,
A corrupção política,
A idolatria
Dos excessos dos ricos
Descer pelos ralos...

Onde emergir
A erupção do martírio
dos desempregados?

(desocupados,
para os moralmente
desvalidos...

abandonados,
pelos espiritualmente
falidos

renegados,
pelos “porcos” e “ratos”
subnutridos)

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