segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Se pela rua...



... meus olhos descerem
até o chão
e minhas pálpebras
levantarem o voo
de um corpo de asas
deixem-me olhar
com as fibras do coração...



Não pensem
Que minha íris está cantando,
Digam apenas
A quem está subindo
Que a saudade irrigou
Minha memória
E que só estou chorando em silêncio...

Se minha voz gritar
um nome
E esse nome,
mais que um grito,
for a fome do tempo
buscando infinito no fim,
Não pensem
Que minha língua
está se calando,
digam apenas
que a saudade irritou
minha memória
e que só estou cantando em silêncio.

Quem canta
Ou reza em silêncio
Reencanta a vida
Dos que se foram
Ou já encontra
Os que estão por vir

Faço das horas
as sementes que amo
Respiro
o que em mim
é anunciação de aurora

Hoje só andarei de mãos dadas
Com o silêncio
(o silêncio nos ouve
e permeia o eco
que desce as montanhas
para alcançar o céu).

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