Livre
As rimas nada podem
ao controlar
sílaba a sílaba
cada célula
do poema
Se eu fosse o poema
e os versos
meu jeito de caminhar
as rimas seriam
pedras no caminho
o tropeço
a queda
(chão estranho)
O ritmo
me atropela
com seus gritos
de aviso
e revolta
Controverso
aniquila
toda aquela tola
janela
moldura estéril
de paisagem
que cala
O poema só se agita
– aí, sim –
quando não tropeça
nem cai
eleva-se em si
e acima
Como
uma conversa
boa
ao pé de uma
laranjeira
uma moça
à toa
de olhos sem hora
e um poeta
com língua ávida
que voa

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