segunda-feira, 20 de junho de 2016

Mente em orvalho - IV










Mata-me

Deixa-me sozinho
Como as pessoas que tossem
Nas grandes cidades

Deixe minha alma
Atravessar
O chão quente
Do núcleo da Terra
E congelar
Na brancura simples
Do monte Everest

Mata-me, amor!

Deixe que a morte
Dobre a esquina
Com seu manto
Inesperado
E, como vida,
Desapareça
Do outro lado da rua

Nem viver, nem morrer
É a questão
Nem ter, nem Ser
Nem ser ou não ser

Mata-me
Em nome da vida

Deixe-me viver
Morrendo de amor

Há dez mil anos
É assim

Há dez mil anos
Terminamos
Assim


editora ano 1
Tem uma mesa na Biblioteca Parque Estadual (RJ) esperando por nós.
Vamos conversar sobre poesia e/ou editar seu livro


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