quinta-feira, 24 de março de 2016

Por que dizem tanto...



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... que é tão difícil entender a poesia? Ela não pode ser um pássaro pousado no ar, porque alguém logo diria: “eis um pássaro voando no ar”, e qualquer frase cujo significado fique em exposição é apenas uma frase cujo sentido todas as pessoas podem compreender, porque sabem o que é um pássaro, um voo e o ar.

Mas se eu dissesse: “eis um pássaro pousando no ar”, isto é poesia porque escrevi uma frase que não existe por si mesma, é uma metamorfose constante, um metabolismo que exige criação e recriação sempre.

O ser pássaro exige um espaço (o ar) e uma esforço natural (o voo). O ser poeta exige apenas que o coração de um ser humano reconheça o que já conhece sob uma nova forma de conhecimento: a ausência de preceitos.

Sendo assim, a poesia não existe para ser entendida (até porque ela, por si, não é algo que existe), e sim para ser “vivenciada” (termo que denota temporalidade, ao contrário de “vivida”).

É preciso sempre um novo poeta para criar uma nova poesia, mesmo que este poeta seja sempre o mesmo fisicamente, e a poesia a mesma, metafisicamente.


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