quarta-feira, 9 de março de 2016

Aquoflora felina











Meu banquinho de madeira
Preferido
(tenho três)

Coloquei-o na minha porta
sentei em frente
às minhas plantas
preferidas

Ao meu lado,
Pousei uma garrafinha
De água
Um pouco gelada

Não abri nenhum livro
Não peguei meu violão
Não falei nada
Não ouvi nada
Apenas olhava para dentro
Como quem
Explora seu Universo
Apenas para si

Aí, veio o gato
Não é um simples gato
É um gato gato

Esbarrou
Em minha garrafinha
De água
Um pouco gelada
E entrou em meu quarto

Vi a água
(que já não era minha)
escorrer pela varanda

Vi as plantas
(sensação estranha)
rindo de mim

Vi minha sede
(ato contínuo)
crescer mais
que a temperatura
ambiente

Pergunto:
De quem é a culpa?
Do gato?
Das plantas?
Da minha vacuidade?

Não há culpados,
Porque todo o cenário
Estava pronto
Para este desfecho

E mais
(E por isso mesmo)
Não existe a culpa,
Porque ela é uma ideia
Construída
Pelas nossas ambições

Levantei-me
Despedi-me das plantas
Guardei meu banquinho
E peguei outro
Recipiente de água
Um pouco gelada

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