Existe um silêncio (na essência de cada ser) que orbita
até na aparente desarmonia do barulho. Tudo começa e acaba em nós. Se houver
sincronia entre onde estamos dentro de nós e o ambiente físico onde nosso corpo
está, tanto no barulho nossa alma dança, quanto no silêncio nosso corpo balança.
Quem fala mais: a voz do silêncio ou o movimento
intenso de um som? A vida, por si mesma, não tem dicotomia. Está presente em
mim, em ti, em nós. Ela é quem nos usa, não somos nós que fazemos uso dela. Só
podemos destruí-la se, primeiro, nos destruirmos. A vida só existe porque temos
consciência dela e é a perda dessa consciência que desintegrará a vida. É assim
a vida de um homem (segundo Hegel, somos a consciência da Natureza).
A vida não age nem reage: segue de acordo com nossas
ações. Ama conforme nossos corações. Sobrevive em nossas orações.
A vida somos nós e nós vamos viver bem ou mal na mesma
proporção em que sentimos a vida. Está em nós, somos nós o silêncio, o som, o
barulho.
No fundo, Dante Milano confirma isso de maneira bem
realista: “Canto a vida / Não a que é vivida / Mas a que está perdida / A que é
apenas sonhada”.

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