O tempo não para
Sempre há no tempo
Uma espécie de trem
Desenfreado
Enquanto estivermos presos
Aos dormentes
Que sobre as pedras
Sustentam ideias
Dispersas
Uma a uma tentando
a fluidez da fumaça
que nunca chega
ao chão
Não há tempo algum
Se nenhum de nós
Trair seus próprios sonhos
(Como se sonhos
Pudessem ser traídos)
Toda traição
Arrasta os pobres coitados
À conquista de estribilhos
Que nunca serão cantados
De trabalhos
Que nunca serão realizados
A não ser quando
O tempo cala a boca
De cada um
O tempo silencia o olhar
Mais afoito
O tempo amordaça
A intenção de ser humano
Também não há
Que se dominar tempo algum
Somos nós o tempo
De quem não sabe do tempo
Apenas sobe e desce
Ladeiras de barro
Constrói barcos com
Ainda com madeiras
Sorri com os dentes abertos
Das clareiras
Das clareiras
Somos nós o tempo
Com qualquer nome
Que queiramos dar
A ele
E, como numa ciranda,
Passamos o bastão
De mão em mão
Dando sequência aos momentos
Fazendo do que chamamos
Tempo
Um círculo eterno
Sem ponteiros
Sem ciclos lunares
Sem a menstruação do mar
Sem o ir e vir das estações
Sem as orações
Que mal imaginam

João meu velho, nesse holograma somos sonhos do criador, engrenagens onde ele se move e experiencia a vida conhecendo sua infinitas possibilidades, aprendendo a ser certeza dentro das incertezas. Nesse processo infinito de evolução busca o caminho de volta para si mesmo com acumulo do seu aprendizado dentro do espaço tempo. Nesse tempo somos ponteiros do relógio cósmico, ou seja o tempo que passa pelo tempo aprendendo que o tempo é um presente, presente que temos o livre arbítrio de fazermos o que quiser. "Faça o que quiseres pois é tudo da lei"
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