Manhãs sem dono
Será o amor uma ironia
Do destino
Ou uma missão
De qualquer grande menino
Para consagrar-se
Na mais pura ilusão?
Será o amor uma traição
A si mesmo
Diante do outro
Que lhe conquista como presa
Sem pressa
Consumindo-nos
Como se uma simples praça
Fosse o começo
De todas as ruas?
Será o amor
Uma forma de canção
Daquelas que não saem
De nossa lembrança
Embora o coração
Órgão menor
Cresça diante de tudo
Do cérebro
Dos pulmões
Dos intestinos?
Será o amor
Um privilégio de poucos
Porque precisa
De uma alma
De uma cicatriz no olhar
De uma meretriz
Nas vestes
Diante de qualquer altar?
Será o amor
Tudo isso
E mais alguma coisa
Quem sabe algo
Que ainda não conhecemos
E jamais iremos conhecer
Porque o amor
Nunca é o que parece
E sim o que se reconhece
Entre escombros
Delírios
Tropeços?
Sim,
O amor é tudo isso,
Sim!
editora ano 1
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(21) 99682-8364 - joaodeabreu9@gmail.com
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