Enquanto Cartola caminha de volta pra casa...
Ah,
Adoro tomar cachaça
Dez horas da manhã
(As balconistas
Do mercado da minha rua
– entre elas –
Me apelidaram
De “Galã de porta de botequim”!)
Melhor do que isso
Só tirar um cochilo
Depois do almoço
Mesmo que eu tenha
Comido só
Arroz com feijão
Ah,
Adoro beijar a lua
Com as cordas
Do meu velho e bom violão
Deixar que as ruas
Sejam o começo
De uma Nova Era
Dentro de mim
Adoro que as estrelas,
Quando percebem
Que eu estou “cercando frango”,
Sorriem para mim
Sem deboche
Mas com um ar
De quem sabe mais do que eu
De onde vem
A sua própria luz
Já que eu,
Embriagado delas,
Esqueça até de mim
(embrião de mim)
Ah,
Adoro a oração
Que caminha pelas calçadas
Esbarra em muros
Sutilmente explode
Os erros da madrugada
E se transforma
Num super herói de natureza
Numa espécie de manto
De pranto
De mantra
De encanto de si mesmo
Por se saber finito
Diante de tanta
Infinitude
Do ser
Meu nome?!
Meu ofício?!
Onde estou agora?!
Sente um pouco
Olhe para si mesmo
E caminhe por dentro...
editora ano 1
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(21) 99682-8364 - joaodeabreu9@gmail.com
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