sexta-feira, 1 de julho de 2016

Encontro/união










Quando eu procuro um objeto dentro de um recipiente relativamente grande e dentro há outros muitos objetos, antes eu mentalizo o objeto que procuro e vou “vendo” a imagem dele até encontrá-lo ou não. Porém, se eu não mentalizo este objeto, jamais ele vai ser encontrado, porque eu estarei perdido entre mil imagens (em forma de pensamentos) que atrapalham a minha visão e aquele objeto poderá até passar por minhas mãos e eu não “vê-lo”.

Se eu alcançar a concentração, este será o primeiro passo para começar uma caminhada de encontro comigo mesmo dentro do mundo. Para trás eu deixarei uma procura inconsequente, às vezes até mesmo uma busca desesperada, pois a concentração já permitirá que eu me livre dos grilhões que nos confundem por dentro e se projetam num emaranhado de prazeres efêmeros que se apresentarão com uma cara convincente.

Concentrando-me, eu poderei dar atenção intensa ao que quero alcançar. Aí (eis o segundo passo) surge a imagem mentalizada de tal forma que as outras possibilidades de desvio serão descartadas. A mentalização é a prévia materialização de nossos objetivos; é o prenúncio de que também estamos sendo procurados por aquilo que procuramos, ou seja, nos integramos de tal forma ao que queremos ser ou ter mais adiante, que sentimos sua presença mesmo que ainda invisível porém possível.


O encontro se dá quando a unidade de tudo que nos compõe (não apenas nosso ego) atinge seu clímax e, para nossa surpresa, esteve o tempo todo tanto debaixo de nossos pés quanto acima de nossas cabeças: o percurso, o objetivo, o caminho... ali, ou aqui, o tempo todo sendo cada segundo de um momento só, de um pensamento só, como se no céu uma única nuvem se reproduzisse em milhares de outras, mas sendo apenas uma, havendo apenas variações sem alterar o tema... apenas faces sem alterar a alma... apenas espelhos sem alterar a imagem...


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