Quando eu procuro um objeto dentro de um recipiente
relativamente grande e dentro há outros muitos objetos, antes eu mentalizo o
objeto que procuro e vou “vendo” a imagem dele até encontrá-lo ou não. Porém,
se eu não mentalizo este objeto, jamais ele vai ser encontrado, porque eu
estarei perdido entre mil imagens (em forma de pensamentos) que atrapalham a
minha visão e aquele objeto poderá até passar por minhas mãos e eu não “vê-lo”.
Se eu alcançar a concentração,
este será o primeiro passo para começar uma caminhada de encontro comigo mesmo
dentro do mundo. Para trás eu deixarei uma procura inconsequente, às vezes até
mesmo uma busca desesperada, pois a concentração
já permitirá que eu me livre dos grilhões que nos confundem por dentro e se
projetam num emaranhado de prazeres efêmeros que se apresentarão com uma cara
convincente.
Concentrando-me, eu poderei dar atenção intensa ao que quero
alcançar. Aí (eis o segundo passo) surge a imagem mentalizada de tal forma que
as outras possibilidades de desvio serão descartadas. A mentalização é a prévia materialização de nossos objetivos; é o
prenúncio de que também estamos sendo procurados por aquilo que procuramos, ou
seja, nos integramos de tal forma ao que queremos ser ou ter mais adiante, que
sentimos sua presença mesmo que ainda invisível porém possível.
O encontro se dá
quando a unidade de tudo que nos compõe (não apenas nosso ego) atinge seu
clímax e, para nossa surpresa, esteve o tempo todo tanto debaixo de nossos pés
quanto acima de nossas cabeças: o percurso, o objetivo, o caminho... ali, ou aqui, o tempo todo sendo cada segundo de
um momento só, de um pensamento só, como se no céu uma única nuvem se
reproduzisse em milhares de outras, mas sendo apenas uma, havendo apenas
variações sem alterar o tema... apenas faces sem alterar a alma... apenas
espelhos sem alterar a imagem...

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