segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Hoje...











... eu só queria sentar

Num botequim vazio

Deixar minhas palavras

Descerem pelo rio

Que se forma

Com a espuma da bebida

Que, ao longo da vida,

Eu bebi



Hoje

Eu só queria admirar

O universo em desafio

Como se os meus versos

Arranhassem um gato em cio

Transformando-se

em música sem pavio

caindo em cima de mim

em nuvens errantes

remanescentes

de outras eras


Quem sabe, hoje,

Eu poderia me tornar

Um herói de qualquer lua

Deixando um rastro

Por minha rua

De luz no escuro

Como um ser puro

Que pecou por ser

Ao ser o que é

O não ser

E perder a fé

Mas sustentar a esperança

Como uma criança

Que ainda brinca de luta

Porque a luta faz parte

Da nossa arte

De sofrer

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