quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Hóspede do sacrifício

















Há ternuras que ferem
Tal como a flor
Que nasce sem espinhos
Mas em meio ao precipício
Não se preocupa
com a falta de carinho
e se entrega ao ar

Há ternuras
De flores longe
Dos moinhos sem água
Com o odor
Dos que se sabem
Sem mágoa
Sem dor
Sem qualquer sombra
Porque o sol
Não tem pétalas
Mas há flores
que são girassóis

O sol tem chamas
Labaredas
Mas não tem
Rimas
Que lhe coroem
Como rei
De um céu aberto

Ante o olhar de Galileu
Deus proclama
Não haver sombra
à sua própria Luz


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